Um Projecto Inovador


Um Projecto Inovador



Para o projecto foi escolhido o arquitecto português Regino Cruz, associado a um grande gabinete internacional: Skidmore, Owings & Merril (SOM).
Regino Cruz é autor de diversos projectos no Brasil e em Portugal, nomeadamente de edifícios institucionais e de escritórios em Lisboa. É também co-projectista da Torre Vasco da Gama, situada no topo norte do recinto do Parque das Nações.
A SOM obteve o primeiro prémio nos concursos para os estádios Olímpicos de Manchester e Berlim, para além de acumular projectos de grandes pavilhões desportivos nos EUA (Portland, Filadélfia, Oakland ou Minneapolis).

A configuração do Pavilhão Atlântico lembra uma nave espacial… mas a sua forma é também a do caranguejo-ferradura, espécie surgida há 200 milhões de anos.
Misto de animal marinho e nave espacial, esta forma merecia uma estrutura que a suportasse, física e simbolicamente.
Assim surgiu a ideia do travejamento em madeira para sustentar a cobertura, à maneira do cavername invertido de uma nau quinhentista.
Numa exposição mundial que evoca os oceanos e as Descobertas, a madeira, melhor que o aço ou o betão, é a matéria-prima ideal.

A organização interna do espaço foi pensada em função de 3 grandes objectivos:
1) minimizar o impacto visual de uma construção de grandes dimensões como é esta,
2) contribuir para um uso racional da energia e
3) simplificar a entrada e saída de público.

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MENOS ENERGIA, MAIS CONFORTO

Conforme se realçava nos Termos de referência do concurso para a selecção dos projectistas, “O edifício deve ser projectado por forma a ter um bom comportamento energético, uma vez que um dos principais custos de gestão é o da energia”.
Havia também que ter em conta a Estratégia Global para a Energia e o Ambiente, no quadro do plano de urbanização para a área da EXPO’98, levada à prática no âmbito do protocolo celebrado entre a Parque EXPO’98 SA, o Centro para a Conservação de energia e a Comissão Europeia, sob coordenação do Professor Doutor Oliveira Fernandes.
A concepção do edifício permite optimizar a sua exploração o que veio a assegurar o êxito das candidaturas ao Programa de Financiamento Joule/Thermie e SIURE, a que corresponderam financiamentos a fundo perdido da ordem dos 180 000 contos.
A responsabilidade pelo projecto de climatização e pelos aspectos energéticos é de Luís Malheiro da Silva – Projecto e Gestão de Instalações Especiais.
Os elevados níveis de conforto e os baixos consumos de energia previstos para o Pavilhão Atlântico estão ligados à forma como o ar é insuflado na zona ocupada pelo público: por detrás das cadeiras, a baixa velocidade e a uma temperatura não muito desfasada da ambiente, optimizando a climatização da zona ocupada pelo público.
A opção pelo uso a 100% de ar exterior promove elevados padrões de qualidade ambiental: as partículas contaminantes em suspensão são arrastadas para o exterior, conseguindo-se a diluição dos cheiros e odores.
De Verão, aproveita-se a água do Tejo para o pré-arrefecimento do ar insuflado. De Inverno a energia térmica de ar de extracção (mais quente), é aproveitada por recuperadores de calor.
De tudo isto resulta um bom desempenho energético do Pavilhão. Para o cumprimento deste objectivo concorrem também a utilização da ventilação e iluminação naturais e a iluminação artificial controlada, bem como o tipo de construção e revestimentos exteriores escolhidos.
Calcula-se que, por comparação com um edifício semelhante onde estas estratégias não tivessem sido consideradas, se obtenham poupanças de energia da ordem dos 36% de Inverno e 63% no Verão.

USO RACIONAL DE ENERGIA
Um Projecto InovadorPara garantir o máximo conforto no interior do Pavilhão com o mínimo gasto de energia, tomaram-se algumas medidas:

> O edifício foi parcialmente implantado abaixo do nível do terreno, para tirar partido da inércia térmica estrutural;
> Fez-se um estudo da envolvente exterior, do ponto de vista da transmissão de calor e da emissão de contaminantes, no seu interior;
> Recorreu-se a ventilação e iluminação naturais, controladas entre eventos e ensaios;
Um Projecto Inovador> O uso de iluminação artificial é controlado;
> Utiliza-se água do Tejo para o pré-arrefecimento do ar nas unidades de tratamento do rio;
> Procede-se à insuflação ao nível das cadeiras para concentrar a climatização na zona ocupada pelo público;
> É feita a admissão de 100% de ar novo, com recuperação de energia;
> Procedeu-se à substituição da instalação das unidades produtoras de água fria e das caldeiras através da ligação às redes da Zona de Intervenção da EXPO’98;
> Faz-se uma utilização de bombagem de água dos circuitos de climatização com caudal variável;
> É empregue um sistema de gestão centralizada para coordenar o funcionamento geral do edifício, no que diz respeito à gestão da energia.

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